• Rogério

"Great City Maps", da Dorling Kindersley


Great City Maps: A historical journey through maps, plans, and paintings

DK Smithsonian

Edição: 2016

Editora: DK Smithsonian

Páginas: 256


O livro Great City Maps é uma referência na área da cartografia urbana histórica. Está muito bem organizado e permite enquadrar o leitor na temática e no tempo.

A apresentação de vários mapas/planos urbanos de diversas cidades mundiais é acompanhada de uma legenda, breve descrição histórica e técnica de cada mapa, pequenos textos com algumas curiosidades. Há ainda destaque para alguns dos mapas, com a disponibilização de um tour visual explicativo dos detalhes históricos e cartográficos.



Prefácio | Parcialmente transcrito e traduzido

"Bonito e útil, histórico e contemporâneo, com diversos mapas de cidades.

Como esta excelente coleção deixa claro, as cidades são centros de poder político, económico, religioso e cultural. Os mapas dos centros urbanos refletem a

aspirações da Humanidade e, ainda assim, a realidade da vida, sejam elas

em favelas ou conjuntos de prédios ricos de frente para grandes avenidas.

Os mapas podem mostrar a renovação de cidades estabelecidas há muito tempo, como Pequim, Bagdad, Constantinopla, Paris e Londres, todas soberbamente descritas neste livro, mas também registam a rápida criação e desenvolvimento de novas cidades em terras longínquas: por exemplo, Rio de Janeiro, São Francisco, Sydney e Washington.

Diferentes técnicas e preocupações cartográficas podem ser observadas nos mapas muito contrastantes de Tenochtitlan pós-colombiana (agora

Cidade do México), Madrid, Barcelona, ​​Cairo, Quioto e Seul.

Com efeito, a cultura, as aspirações e esplendor das tradições nacionais individuais e coletivas podem ser apresentadas com grande efeito num mapa.

Os mapas podem, também, retratar eventos importantes, como o cerco turco de Viena ou a Guerra da Independência Americana a partir da perspetiva de Nova York. Os mapas incluídos neste livro demonstram como as cidades

continuaram a evoluir e se adaptaram a novos desafios, muitas vezes, ameaçadores. Uma abundância de história humana está aqui."



Ancient Cities

Cidades Antigas


As cidades do mundo antigo que sobreviveram aos dias de hoje são caraterizadas por uma forte continuidade dos seus traços, onde mantiveram a sua tradição e cultura, mesmo que a sua importância, influência política ou económica tenham

aumentado ou diminuído. Alguns dos primeiros mapas dessas cidades foram desenhados há milhares de anos atrás, mas ainda hoje são estudados e analisados, servindo de base cartográfica, para auxiliar a criação de novos mapas, mais detalhados, dessas cidades da antiguidade.



p.12 Gilbert H. Grosvenor | Editor na National Geographic

"A map is the greatest of all epic poems. Its lines and colors show the realization of great dreams."

"Um mapa é o maior de todos os poemas épicos.

As suas linhas e cores mostram a realização de grandes sonhos."


Cidades Antigas | Roma, Jerusalém e Constantinopla.



Medieval Trading Centers

Centros Comerciais Medievais


No final do período medieval, a enorme riqueza trazida pelo comércio, também, inspiraram os líderes das cidades a promover o sucesso e a prosperidade da sua cidade, não só por uma questão de orgulho cívico, mas para mostrar o seu potencial para se fazer trocas comerciais. Nesta época é comum alguns mapas exibirem a sua arquitetura para destacar o poder económico de uma cidade.



p.65 Georg Braun On London | Civitates Orbis Terrarum, 1572

"Famed amongst many people for its commerce… Goods from all over the world are brought hither on the Thames."

"Famosa entre muitas pessoas pelo seu comércio...

Mercadorias de todo o mundo são trazidas para cá no Tâmisa."


Centros Comerciais Medievais | Londres, Lisboa e Barcelona.



Imperial Capitals

Capitais Imperiais


A elaboração de mapas fidedignos ​​e precisos dos centros de poder imperial exigiam a interação hábil entre topógrafos e cartógrafos. Durante o século XVIII, começaram a ser utilizadas técnicas modernas e novos instrumentos para o levantamento cartográfico, especialmente, na Grã-Bretanha e na França.

Uma procura crescente de mapas, com detalhes de levantamentos militares e topográficos, cartas navais dos novos territórios imperiais possibilitou um maior grau de precisão no mapeamento das cidades. Estas foram cada vez mais detalhadas, até numa perspetiva de “olho de pássaro”.



p.123 Christopher Marlowe | Tamburlaine, 1587-88

"Give me a map, then let me see how much,

Is left for me to conquer all the world."

"Dá-me um mapa e deixa-me ver quanto me resta

para conquistar todo o mundo."



Capitais Imperiais | Viena, Quioto e Moscovo.



Colonial Cities

Cidades Coloniais


Os mapas que os europeus fizeram das suas colónias e/ou assentamentos comerciais, e os postos avançados extremos em Australásia, serviu como relatórios de progresso para Governos e monarcas, ilustrando o crescimento e desenvolvimento de suas colónias.

No entanto, eles também revelam a escassez de informações disponíveis para os cartógrafos e o grau de invenção imaginativa que eles tiveram que empregar. As representações cartográficas de muitos territórios coloniais basearam-se em “contos de viajantes” sobre feras, plantas e povos indígenas coloridos.



p.163 Joseph Conrad | Heart of Darkness, 1899

"Now when I was a little chap I had a passion for maps. I would look for hours at South America, or Africa, or Australia, and lose myself in all the glories of exploration."

"Quando eu era pequeno, eu tinha uma paixão por mapas.

Eu poderia olhar horas a América do Sul, África ou Austrália e

e perder-me em todas as glórias da exploração."


Cidades Coloniais | Sydney, São Francisco e Cidade do Cabo.



Ideal Cities

Cidades Ideais


A construção de novas capitais teve a vantagem de poder começar um plano limpo do território. No século XVIII, o governante russo Pedro, o "Grande", transferiu a capital de Moscovo para a nova cidade de São Petersburgo, em 1712. Um modelo com a visão do Imperador da capital, pois a cidade ainda estava em construção. De forma similar, o primeiro mapa a ser produzido da nova capital dos Estados Unidos (Washington), mostrava uma cidade que ainda não existe. O plano da cidade ideal de Washington não seria plenamente realizado até ao início do século XX, quando as obras de paisagismo e construção do projeto National Mall aproximou esta área central da visão original para a capital do país.



p.185 Le Carbusier | Arquiteto Franco-Suiço

"The materials of city planning are: sky, space, trees, steel and cement; in that order and in that hierarchy."

"Os materiais do planeamento urbano são:

céu, espaço, árvores, aço e cimento;

nessa ordem e nessa hierarquia."


Cidades Ideais | Washington, Paris e São Petersburgo.



Megacities

Megacidades


O tamanho e a escala do desenvolvimento urbano nos últimos 50 anos, derrotou efetivamente as tradicionais habilidades de um cartógrafo. O fenómeno da ascensão das megacidades tem apresentado muitos projetos de planeamento e novos desafios, principalmente, o obstáculo em fornecer modelos e planos para organizar as infraestruturas de saneamento, sistemas de transportes e de comunicação. O crescimento de favelas em redor das cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo no Brasil, Cairo no Egito e Deli na Índia, torna o problema ainda mais difícil. Representar as megacidades cartograficamente de forma visível e útil, tornou-se um desafio quase inatingível.



p.217 Seth Spielman | Professor na Universidade de Colorado, EUA

"No longer static images, maps have become active interfaces for information exchange… determining where we are… and suggesting where we ought to go."

"Não são mais imagens estáticas, mapas tornaram-se interfaces ativos para troca de informações... determinando onde estamos... e sugerindo onde deveríamos ir."

Megacidades | Rio de Janeiro, Shanghai e Nova Iorque.



Nota | Os textos foram parcialmente transcritos, traduzidos e adaptados pelo autor do artigo.



Boas leituras geográficas 📚



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Rogério Madeira

Geógrafo

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