• Rogério

Desculpe, faça o favor de apagar o cigarro…



Assisti e li várias reportagens na TV e nos jornais sobre o assunto e, de forma geral, os portugueses estão a portar-se bem (aparentemente e se calhar, para já).

O restaurante onde, habitualmente, almoço cumpre na íntegra o disposto na Lei e os seus utentes, também. E denoto que muitos outros o fazem… com bom senso, chegamos lá… O estranho para mim, e pergunto-me a mim mesmo muitas vezes: “É preciso uma lei para mostrar aos fumadores que quando acendem um cigarro incomodam terceiros?” (dependendo sempre do local e da situação). “É preciso uma Lei para educar a nova geração? É preciso uma Lei para vos mostrar que o tabaco mata e prejudica a saúde? Precisam de uma Lei para deixarem de fumar?”

A resposta é SIM (ou não, dependendo da questão). Num mar de gente fumadora há sempre quem não tenha bom senso e entra em conflito com o oceano de gente não fumadora. Logo é preciso estabelecer regras. (Queres fumar tudo bem, mas não prejudiques terceiros).

Não sou um fundamentalista do Anti-tabagismo, até hoje sempre frequentei cafés, discotecas (locais de muito fumo) e até já dei umas “passas”, no entanto, como não me soube a chocolate, fiquei apenas pela experiência. Por isso, estou bastante contente com a nova lei e com a consequente alteração dos maus hábitos de uma minoria (sim, minoria) de portugueses.

No entanto, como tudo de bom (ou mau, depende do ponto de vista) na vida tem entraves, a Associação Nacional de Discotecas (ou sei lá como se chamam. Nem sabia que havia uma entidade destas) já defende a alteração da Lei e está a recolher 5 mil assinaturas para levar a discussão à AR.

Facilmente eles chegarão a este número e proponho que nas listas, para além do nome e n.º de bilhete de identidade venha o grau de alcoolemia de cada assinante. Fazer uma recolha de assinaturas na saída da discoteca, às 5, 6, 7 da matina, depois de uma noite de muito álcool é ridículo. Mas não me surpreende…

Depois assistimos a respostas (anedotas) como esta que vi na TV (na RTP): – É a favor da nova lei? (Jornalista) – Claro que não! Não faz nenhum sentido. Ainda para mais numa discoteca. Só vem a uma discoteca quem quer. Os não fumadores se quiserem podem ir a uma “Rave”, que é ao ar livre, não precisam de vir às discotecas. (Resposta com tom arrogante, da jovem lúcida no álcool mas embriagada no raciocínio).

Seguindo o raciocínio dela: Só vai a um restaurante quem quer! (podem comer em casa) Só entra na escola quem quer! (apesar de obrigatória, podem ser autodidactas)! Só entra no trabalho quem quer! (podem ser desempregados ou domésticos)! Só entra no Teatro/Cinema/Salas de espectáculos quem quer! (podem assistir a tudo isso na TV, em casa). Só entra no Hospital quem quer (podem morrer no local do acidente). Só entra nos transportes públicos quem quer! (podem ir a pé). Puxa, digam-me lá se os fumadores não são animais? (Sim, tenho hábito de generalizar a coisa… ok. Vou ter calma…) Peço desculpa, esqueci-me que os animais não fumam… (Ok. Vou ter calma…) 😛

Continuando… Não tenho o dicionário comigo, mas o que é uma discoteca? Bem, para mim vem logo duas coisas à cabeça: Local de venda e de passagem de discos de musica. Local de música, dança e de convívio/lazer, de diversão nocturna.

Ou será a discoteca um local para fumar cigarros, traficar algo ilícito e de consumo de bebidas alcoólicas? E só por acaso há música e acabamos por dançar e curtir o som… Não percebo porquê que as cabeças de cartaz de promoção de uma festa de discoteca são sempre DJ, grandes nomes da “música de dança”, techno, etc.? Proponho aos proprietários das discotecas promoverem o seu negócio da seguinte forma: “Temos tabaco e vinho!”

Se chegarmos a este consenso, então, proponho que Fumar nas Discotecas deve ser uma excepção. Realmente, a LEI deve ser revista. Enfim…

Para a jovem embriagada no raciocínio (pena não ter a oportunidade de dialogar este assunto contigo) e a todos proponho que façam uma distinção entre Discoteca e uma Fumateca (já criadas no dia 1, que sobreviverão na ilegalidade e ainda não são conhecidas pelo público em geral fumador). Pelo próprio nome, as diferenças parecem-me mais que óbvias (uma ajuda: seguem a lógica de Biblioteca, Ludoteca, Videoteca, BDteca, etc.)

Por último, transcrevo um poema escrito em 1997, que encontrei por acaso que nos fala de reciclar hábitos (neste caso, outros hábitos)… No caso que quero aqui sustentar, posso interpretar o poema da seguinte forma: “A Terra de cinzas do queimar do cigarro”, pode comprometer as gerações vindouras.

Reciclar hábitos

Manhãs cinzentas Cobrem a terra de cinzas. O perigo aproxima-se, Junto das gerações vindouras.

Florestas sem cor Vão gritando de dor. Águas poluídas Vão esperando por um outro sabor.

Sensibilizar a Humanidade Torna-se então urgente. Para não passarmos a viver, Num mundo doente.

Pega no teu lixo E divide-o por secções. Cada tipo no seu caixote, Nada de confusões.

Papéis, vidros, plásticos Reciclar, reciclar, reciclar. Não é tão difícil Só tens de colaborar. Ratazana 25.Abr.97


Mudemos de hábitos, sempre com tolerância…

Novamente desejo um bom ano… mas desta vez… livres de “passas” ou de livres “passas”… Transcrevo o objecto do artigo e podem/devem consultar a referida Lei na íntegra aqui (.pdf).

Lei n.º 37/2007, de 14 de Agosto Aprova normas para a protecção dos cidadãos da exposição involuntária ao fumo do tabaco e medidas de redução da procura relacionadas com a dependência e a cessação do seu consumo. Artigo 1.º Objecto A presente lei dá execução ao disposto na Convenção Quadro da Organização Mundial de Saúde para o Controlo do Tabaco, aprovada pelo Decreto n.º 25 -A/2005, de 8 de Novembro, estabelecendo normas tendentes à prevenção do tabagismo, em particular no que se refere à protecção da exposição involuntária ao fumo do tabaco, à regulamentação da composição dos produtos do tabaco, à regulamentação das informações a prestar sobre estes produtos, à embalagem e etiquetagem, à sensibilização e educação para a saúde, à proibição da publicidade a favor do tabaco, promoção e patrocínio, às medidas de redução da procura relacionadas com a dependência e a cessação do consumo, à venda a menores e através de meios automáticos, de modo a contribuir para a diminuição dos riscos ou efeitos negativos que o uso do tabaco acarreta para a saúde dos indivíduos.



Sustenta o sustentável 🍀


Rogério

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